Publicado por: barcos na ria | 09/11/2008

embarcações


Levantamento de informação escrita, oral e fotográfica dos diversos tipos de embarcações que navegam na ria.


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Barco Moliceiro

Embarcações tradicionais da Ria de Aveiro – o barco moliceiro

São várias as tipologias de embarcações tradicionais que se registam, e registaram na Ria de Aveiro.

Em cada uma delas se insere uma ou várias embarcações tipo, apresentando características semelhantes.
Todas juntas formam a nossa frota identitária lagunar – encerrando em si séculos de história, evolução e desenvolvimento da região.

Cada uma conta a sua história e deixa um legado – umas vivas, a navegar, outras mortas, eternizam em espaço museuológico.

Fev. 2016
(tema a desenvolver em estudos futuros – dissertação “Embarcações tradicionais da Ria de Aveiro: um olhar pelo Design”, de Etelvina Almeida/2012)

JORNADA | CULTURA NÁUTICA
factor diferenciador e de desenvolvimento da Região de Aveiro.
08-01-2016 | 14h | Escola de Artes e Ofícios de Ovar

“A paisagem, a geo-morfologia, a gastronomia, a relação Mar/Ria e as actividades náuticas da Ria de Aveiro constituem um produto que interessa valorizar e divulgar. Os barcos as formas, as funções e todas as artes relacionadas com a actividade marítima, do trabalho ao lazer, são factores de diferenciação.”

info: cenariovar@gmail.com | 965 635 233 | http://cenariovar.blogspot.pt
https://www.facebook.com/cenariovar/?fref=ts
https://www.facebook.com/helderAventura?fref=ts
http://www.pontovirgula.pt/agenda/?filtro=limpar

CULTURA NÁUTICA… Leia a reportagem na página do site da CENÁRIO

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As embarcações tradicionais da laguna necessitam de um olhar mais activo…

Regata de Barcos Moliceiros do S.Paio da Torreira - 07-09-2014 Cais do Guedes. Arquivo pessoal

Regata de Barcos Moliceiros do S.Paio da Torreira – 07-09-2014
Cais do Guedes.

Regata de Barcos Moliceiros do S.Paio da Torreira - 07-09-2014 Barco Moliceiro "Zé Rito", o vencedor da Regata. Arquivo pessoal.

Regata de Barcos Moliceiros do S.Paio da Torreira – 07-09-2014
Barco Moliceiro “Zé Rito”, o vencedor da Regata.
Arquivo pessoal.

sobre…

Esta página foi criada há uns anos, ainda em âmbito de mestrado em design pela Universidade de Aveiro (http://etelvina.wordpress ), em Novembro de 2008. Recordo…

As embarcações tradicionais da laguna necessitam de um olhar mais activo e de uma acção urgente em prol da sua conservação e manutenção – já fazem parte de património material e imaterial identitário da nossa região que urge preservar.

Começa a ser preocupante a perda de um saber ancestral na área da construção naval tradicional. As memórias orais das gentes ribeirinhas são um testemunho a registar e um conhecimento a passar a uma geração de novos construtores navais. Conhecimento esse, que aliado às novas tecnologias construtivas, e ao envolvimento com grupos de trabalho na área do design, por exemplo, possam manter a tradição do saber lagunar, artesanal, criativo e intrínseco no nosso contexto actual.

Foi no âmbito do meu trabalho de pesquisa para MESTRADO EM DESIGN da UNIVERSIDADE DE AVEIRO, com o tema: EMBARCAÇÕES TRADICIONAIS DA RIA DE AVEIRO: ANÁLISE FORMAL – O DESENHO E O PROCESSO CONSTRUTIVO, que decorreu desde Novembro de 2008, a Novembro de 2012, que constatei que parte do nosso património lagunar se encontra em decadência e transformação fruto do abandono, desinteresse e falta de iniciativas, tanto de particulares como de organismos públicos.

Torna-se urgente intervir, divulgando e sugerindo, com o objectivo de estimular uma intervenção imediata por parte da comunidade e organismos públicos.

Contemos ainda a navegar, do pouco que resta, um património riquíssimo, único, que merece preservar e deixar às  gerações futuras – trata-se da nossa história, dos nossos usos e costumes. Este entes navegáveis contam-nas, transmitem-nas de uma forma sublime.

Etelvina Almeida, 06-10-2014

https://www.facebook.com/etelvina.almeida1
http://etelvina.wordpress etelvina69@gmail.com
info + 351 91 843 81 62

 


A DECORAÇÃO DO BARCO MOLICEIRO PARDILHOENSE – JULHO DE 2014

Luís Chaves, na sua obra A decoração dos nossos barcos, de 1945, refere que os barcos vestem-se como se vestiram os corpos, e se enfeitaram, guarneceram, defenderam com o que vestiram e como o vestiram (…).

A decoração do barco moliceiro é faustosa, colorida e comunicativa.
Todos os motivos, figuras, signos e legendas contam uma estória, contextualizam a conjuntura histórica de uma época e levam a mensagem ria dentro, de margem em margem, de povo em povo -gente da ria, alegre, brejeira e trabalhadora.

Tinham-no como o seu barco, a sua ferramenta de trabalho.
Cuidavam-no, como quem cuida uma casa.
Embelezavam-no para as festas e romarias, mostrando-o com toda a pompa nas regatas tradicionais.
Competiam entre si, tanto na vela como na decoração.

Ainda se mantêm parte dessa tradição, mesmo que esta teime em cair no esquecimento.
Avivam-se memórias sempre que um barco moliceiro é decorado.

Este barco moliceiro, o Pardilhoense, agora empregue no turismo, mostra a sua traça original e navega à vela.
A decoração tradicional é mantida, mesmo em contexto actual e cada nova pintura é pensada e acarinhada pela mesma gente ribeirinha.

Ainda em estaleiro, encontra-se entregue às mãos de quem sabe, de quem conhece e trata estes entes com respeito e carinho, o pintor Zé Manel.

24-07-2014 | Etelvina Almeida | Praia do Monte Branco, Torreira.

Nota pessoal:

Aqui, na Praia do Monte Branco, na Torreira, aprendi a amar ainda mais a ria, neste pequeno mundo de tábuas, água, tintas, cheiro a madeira e maresia. Aqui sinto-me bem!!!!!
É como um regressar a casa.

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A DECORAÇÃO DO BARCO MOLICEIRO “PARDILHOENSE” – JULHO DE 2014 Ali, ainda entregue às mãos do artista, o moliceiro repousa, deixa-se embelezar, cuidar. Será mesmo gente, será que sente? Uma harmoniosa estrutura de tábuas que me parece crente nesta gente que o trata.

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A DECORAÇÃO DO BARCO MOLICEIRO “PARDILHOENSE” – JULHO DE 2014 Letra a letra baptiza-se de novo… brilha e rejuvenesce.

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Ei-lo identificado. Mostra-se de novo belo e elegante! É o barco moliceiro “Pardilhoense”.

 

 

Publicado por: barcos na ria | 30/04/2014

O BARCO MOLICEIRO TRADICIONAL – estado da arte


Etelvina Almeida | 29-04-2014  (fotografia do meu arquivo pessoal, sem edição)

Etelvina Almeida | 29-04-2014
(fotografia do meu arquivo pessoal)

Etelvina Almeida | 29-04-2014  (fotografia do meu arquivo pessoal, sem edição)

Etelvina Almeida | 29-04-2014
(fotografia do meu arquivo pessoal)

UMA EMBARCAÇÃO TRADICIONAL DA RIA DE AVEIRO – barco moliceiro “Pardilhoense”

É um barco moliceiro tradicional – o “Pardilhoense”, atracado em águas do sul da Ria de Aveiro – Marina do Jardim Oudinot (Forte da Barra), Gafanha da Nazaré.

Trata-se de um barco moliceiro recuperado por quem valoriza este património. Esta embarcação deixou de servir para a função da apanha do moliço – tendo ficado ancorado num esteiro aguardando o seu fim “de vida”.

Recuperado em Junho de 2011, tem navegado ao longo deste território lagunar transportando turistas e gente que aprecia e valoriza esta embarcação e este ambiente.
Com vento e sabor a maresia um passeio neste barco proporciona sensações únicas. Navegando à vela, valoriza-se e desfruta-se deste meio aquático e da performance desta embarcação secular.

Navegar num barco moliceiro à vela, é como reviver um pouco da história das gentes ribeirinhas.

Conhecer a embarcação por dentro, senti-la nas manobras, observar as suas linhas harmoniosas e a sua proa altiva sulcando as águas calmas da ria, provoca sensações únicas – vicia, seduz, entranha-se!

As grandes regatas de barcos moliceiros ainda se mantêm, mas cada vez com menos participação.
Restam poucos barcos tradicionais, cerca de 10.

Lamentavelmente, o barco moliceiro tem vindo a sofrer alterações formais devido à sua nova função – a do turismo.

Restam três embarcações ao serviço do
turismo que ainda navegam à vela, mantendo este tradicional meio de propulsão, sem alterações formais.

Humildemente, sinto que tive o privilégio de poder navegar numa embarcação secular, de grande valor museológico, em ambiente natural.

É de aproveitar esta oportunidade para conhecer este ex-líbris regional, que ainda transporta no seu tabuado a história de um povo.

Etelvina Almeida, 30 de abril de 2014

INFO:
https://www.facebook.com/moliceirodacostanova


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Praia do Monte Branco, Torreira. Preparação dos barcos moliceiros para a Regata da Ria de Aveiro – “Ria de Aveiro Weekend “, 2013. Amanhação, reparação, reconstrução e construção de embarcações tradicionais. Fot. arq. pessoal.
20-06-2013

BLOG: EMBARCAÇÕES TRADICIONAIS DA RIA DE AVEIRO: UMA ANÁLISE FORMAL – O DESENHO E O PROCESSO CONSTRUTIVO (NOV/2008)

 Após um breve interregno de uns meses, e tendo defendido a minha dissertação de Mestrado em Design em Dezembro de 2012, este mês de Junho, com a aproximação da Regata de Barcos Moliceiros, voltei a publicar no meu blog: “Embarcações Tradicionais da Ria de Aveiro: análise formal – o desenho e o processo construtivo”, prosseguindo com a minha investigação activa nessa área, dado o meu interesse e envolvimento genuíno no tema.

Quero agradecer a todos os seguidores, subscritores e leitores do meu Blog (aberto em Novembro de 2008) pelas visitas e comentários até então “postados” e informar que o Blog se mantêm, e manterá, vivo e activo, enquanto a morte me mantiver em período de férias…

Manterei, renovarei, criarei, estimularei e sensibilizarei para o tema em questão e para um outro que lhe está subjacente: a perda do património lagunar, da identidade e da tradição material e imaterial que ainda resta, que ainda “respira” e “suspira” por vida e divulgação.

 Bem hajam todos os amigos do tema.

Abraços da Ria.

 Etelvina Almeida.


 

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Praia do Monte Branco, Torreira. Fot. arq. pessoal. 20-06-2013

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Praia do Monte Branco, Torreira. Barco moliceiro “Manuel Vieira”, restaurado em Maio/Junho de 2013, pelas mãos do Mestre José Rito, no Estaleiro-Museu aí situado. Fot. arq. pessoal. 20-06-2013.

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Praia do Monte Branco, Torreira. Barco moliceiro “A.Rendeiro”, com novos painéis de popa e de proa em fase de acabamento, pintados pelo artista plástico José Manuel Oliveira. Fot. arq. pessoal. 20-06-2013.

A PREPARAÇÃO DAS EMBARCAÇÕES PARA A REGATA DE BARCOS MOLICEIROS “RIA DE AVEIRO WEEKEND” (22 E 23 JUNHO DE 2013)

No Estaleiro-Museu da Praia do Monte Branco, na Torreira (Murtosa), quatro barcos moliceiros sofrem a amanhação habitual para este evento competitivo que se aproxima.
São reparações, são limpezas e pinturas dos costados, fundos, falcas e por último a decoração dos painéis, com gravuras, cercaduras e legendas pintadas por um artista plástico local e muito conhecido nestes meios, o José Manuel de Oliveira.

 

Etelvina Almeida | Ria de Aveiro | 20-06-2013

Publicado por: barcos na ria | 19/06/2013

GRANDE REGATA DE BARCOS MOLICEIROS DA RIA DE AVEIRO 2013


GRANDE REGATA DE BARCOS MOLICEIROS DO S. PAIO DA TORREIRA 2012
O sinal de largada é dado e os barcos partem rumo ao sul em competição... 10-09-2012. Fot. arq. pessoal.

O sinal de largada é dado e os barcos partem rumo ao sul em competição…
10-09-2012. Fot. arq. pessoal.

Regata de Barcos Moliceiros do S.Paio da Torreira. Alinhamento das embarcações antes da partida. Estiveram em competição cerca de oito embarcações com 15 metros de comprimento e cerca de 5 com dimensões inferiores. 10 de Setembro de 2012 — em Praia da Torreira.

Alinhamento das embarcações antes da partida. Estiveram em competição cerca de oito embarcações com 15 metros de comprimento e cerca de 5 com dimensões inferiores.
10 de Setembro de 2012 — em Praia da Torreira. Fot. arq. pessoal.

A preparação das embarcações antes da partida... O barco moliceiro "Pardilhoense" nos preparativos  para a Regata. Embarcação tradicional ligada ao turismo, navega à vela e mantêm a sua forma original (Sul da Ria - Jardim Oudinot). 10-09-2012.Fot. arq. pessoal

A preparação das embarcações antes da partida… O barco moliceiro “Pardilhoense” nos preparativos para a Regata. Embarcação tradicional ligada ao turismo, navega à vela e mantêm a sua forma original (Sul da Ria – Jardim Oudinot). 10-09-2012.Fot. arq. pessoal

Em primeiro plano o barco moliceiro "O Marnoto", do sul da ria. Embarcação turística. Gafanha da Encarnação.

Em primeiro plano o barco moliceiro “O Marnoto”, do sul da ria. Embarcação turística. Gafanha da Encarnação.

A chegada das embarcações ao Cais do Guedes. A bordo do barco Moliceiro Pardilhoense, Gafanha da Nazaré- Jardim Oudinot. Ao fundo o barco moliceiro "O Inobador", do Clube de Vela da Costa Nova", ambos do sul da ria. 10 de Setembro de 2012. Fot. arq. pessoal.

A chegada das embarcações ao Cais do Guedes. A bordo do barco Moliceiro Pardilhoense, Gafanha da Nazaré- Jardim Oudinot.
Ao fundo o barco moliceiro “O Inobador”, do Clube de Vela da Costa Nova”, ambos do sul da ria. 10 de Setembro de 2012. Fot. arq. pessoal.

RIA DE AVEIRO WEEKEND 22 E 23 DE JUNHO DE 2013
COMUNIDADE INTERMUNICIPAL DA REGIÃO DE AVEIRO
DIA 22 DE JUNHO DE 2013 – SÁBADO
1ª etapa (competição) no Canal de Ovar
percurso – Murtosa (Porto de Abrigo da Torreira), 14 horas – Aveiro (Canal Central)
DIA 23 DE JUNHO DE 2013 – DOMINGO2ª etapa (exibição) Canal de Mira.
percurso – Jardim Oudinot (Gafanha da Nazaré), 14 horas – Costa Nova, Sul do Cais dos Pescadores

CONCURSO DE PAINÉIS

concentração de todos os barcos moliceiros no Jardim Oudinot – 10 horas

Relembrando o ano passado o mote “Há moliceiros na Ria”, que trouxe até Aveiro uma frota de barco moliceiros em protesto, em luto, com painéis tapados com plástico negro. Estes homens moliceiros manifestaram o seu descontentamento pelo cancelamento da regata.

(dados adquiridos junto do regulamento)

Ver in

https://www.facebook.com/etelvina.almeida1/media_set?set=a.475688925775968.27746679.100000045944704&type=3

in 
AGENDA DE EVENTOS DA RIA DE AVEIRO 2013
http://www.regiaodeaveiro.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=27851&eventoId=34380

RIA DE AVEIRO – CAMPANHA PROMOCIONAL
https://www.facebook.com/riadeaveiro.pt?fref=ts
http://www.riadeaveiro.pt/index.php — em Praia da Torreira.


LANÇAMENTO DO LIVRO “MOLICEIROS – A MEMÓRIA DA RIA”

ARQUIVO MUNICIPAL DA MURTOSA – 02-08-2012 – 21H30M

autora: Ana Maria Lopes

fotografia: Paulo Godinho

A apresentação do livro «Moliceiros – A Memória da Ria», com texto de Ana Maria Lopes e fotografia de Paulo Godinho, realizar-se-á no dia 2 de Agosto de 2012, no Arquivo Municipal da Murtosa, pelas 21h30m.

Este evento está integrado no programa da Festa do Emigrante, na Murtosa. 

Trata-se de uma obra de referência para todos os interessados no tema – embarcações tradicionais lagunares (Ria de Aveiro), nomeadamente o barco moliceiro.
É um trabalho de recolha e investigação que começou a ser reunido em meados dos anos 80, e que foi ganhando novas dimensões, dado o interesse e a crescente paixão que a autora, e seu filho, impuseram ao tema. 

Graças a essa recolha e pesquisa, num trabalho de campo e bibliográfico excelente, editou-se esta obra no ano de 1997, tendo saído este ano (24-03-2012) a 2ª edição, revista e actualizada, pela mesma editora – “Âncora”.

Esta obra tem sido divulgada e apresentada ao público em geral, e das zonas ribeirinhas tendo recebido os maiores elogios. Segundo refere a autora, no seu blog “Maritimidades e que passo a citar: “(…) a expansão deste livro pelas zonas ribeirinhas tem sido extremamente agradável e profícua. (…) Será um prazer para nós diversificar «o palco de actuação», entre murtoseiros, que muito da laguna têm no seu «ego».”

Uma obra de referência para quem aprecia e acarinha o tema.
Um evento a não perder!

NOTA:

De referir, que no dia 5, domingo, pelas 15 horas terá lugar a majestosa Regata de Barcos Moliceiros, no Cais do Bico, Murtosa, integrada nos referidos festejos.

programa: 

http://www.cm-murtosa.pt/Templates/GenericDetails.aspx?id_object=6008&divName=116s154s4&id_class=4

publicação oficial:

http://www.cm-murtosa.pt/Templates/GenericDetails.aspx?id_object=6017&divName=116s154s4&id_class=4

Blog da autora “Maritimidades”: 

http://marintimidades.blogspot.pt/2012/08/moliceiros-na-semana-do-emigrante.html

 

endereço facebook:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=482398285105032&set=a.482398031771724.27748416.100000045944704&type=1&theater

 
Publicado por: barcos na ria | 08/07/2012

REGATA DE BARCOS MOLICEIROS DA RIA DE AVEIRO 2012 (?)


A notícia publicada no “Correio da Manhã”, do dia 6-07-2012, gerou revolta e indignação por parte de todos os intervenientes no evento – a Regata de Barcos Moliceiros, integrada nas “Festas da Ria”, de Aveiro – principalmente entre os participantes: antigos moliceiros de profissão; mestres construtores e pintores; mas não só, também entre o público que costuma assistir à regata, e entre todos os que se interessam pelo nosso património lagunar e pela preservação da tradição.

Esta decisão, tomada num contexto de “crise”, vem colocar em causa um evento que já se realiza há algumas décadas, e que tem envolvido, desde sempre, os proprietários das embarcações, antigos moliceiros de profissão e outros que ainda preservam o barco moliceiro para estas ocasiões.

O número de embarcações participantes tem vindo a diminuir, no entanto, têm-se mantido a tradição e o entusiasmo entre os participantes – mesmo sem retorno do investimento que realizam todos os anos: para reconstruir; reparar; pintar e decorar as embarcações para a regata e para o Concurso de Painéis, que se realiza no dia seguinte, pela manhã, no Canal Central de Aveiro.

Estas pessoas, tendo conhecimento do cancelamento da Regata, uma semana antes do evento, através de uma notícia de jornal (Correio da Manhã, do dia 06-07-2012, conforme parágrafo em anexo), e já com algumas semanas de trabalh0 realizado nas embarcações:  reparações; pintura e decoração, sentiram-se indignadas e revoltadas.

Estes homens da “Ria” foram contactados, ontem pelos media, “Correio da Manhã”, pela autora do artigo que deu a conhecer a decisão, Ana Sofia Coelho; pelo “Jornal de Notícias” – o jornalista João Paulo Costa; pelo “Diário de Aveiro” – o jornalista Luís Ventura, e pela SIC (tendo já sido publicados os respectivos artigos, no dia 07-07-2012, dos quais anexo, o do “Correio da Manhã” e respectivo vídeo).

Eles souberam mostrar toda a sua indignação e deram a conhecer os motivos pelos quais se sentem revoltados – segundo eles: está em causa a falta de comparticipação dos organismos competentes,  de uma verba de cerca de 8.000 euros, para que a regata se realize (cálculos por eles realizados, no próprio dia, numa simples tábua de madeira de pinho) e que poderá acabar com uma tradição de dezenas de anos, poderá ser mesmo o início do fim de uma geração de moliceiros.

As embarcações têm vindo a ser vendidas para o turismo e as que restam são conservadas somente por sentimentalismo e muito querer, afinal foram o instrumento de sustento de gerações e guardam a história da família, da vida e dos costumes de uma época.
Esta Regata, é a mais representativa, das duas restantes (Bico e  S.Paio – a da Srª da Saúde, da Costa Nova, já não se realiza há muitos anos), e é o “ponto alto”, das “Festas da Ria de Aveiro”, sendo o barco moliceiro e a Ria um “cartão de visita”para o Turismo da nossa região.
A participação de um menor número de embarcações, nas Regatas, tem sido um facto. Mas ainda, nada se fez para culmatar essa situação, ou de pelo menos manter as embarcações inscritas na Regata e incentivar outros a participar – sensibilizando para que se evite o corte do mastro, do leme, da bica da proa, e das muitas alterações formais que se têm vindo a registar ao longo destes três anos e que impedem o barco de navegar à vela (uma “castração”, se me permitem a expressão).

Depois desta notícia, a motivação decresceu e a revolta instalou-se. Desta forma, perde-se o entusiasmo por algo que tem mantido viva a memória   material e imaterial de uma época, de uma região, de uma vida ao “Rio”, na apanha do moliço.

Foram sentimentos que absorvi e imagens mentais que retive e guardei, quando me desloquei ao local, nesse mesmo dia, ao final da tarde, e  me deparei com os semblantes triste desses homens da Ria, esperando ainda um milagre – vislumbrei, ainda uma réstia de esperança nos seus olhos.

A sua revolta era o silêncio, mas mesmo assim, continuaram as reparações e as pinturas – afinal o seu barco é a sua vida, a lembrança de um passado distante mas feliz.

Os participantes fazem um esforço por manter a embarcação ano após ano, com prejuízo, mas fazem-no com gosto. Os que participam merecem o respeito e admiração de toda a população ribeirinha, que assiste às regatas nos dias de festa, os aplaude e se regozijam com o espectáculo.

O MEU MAIS PROFUNDO RESPEITO E ADMIRAÇÃO POR TODOS OS MOLICEIROS E HOMENS DA RIA QUE AINDA LUTAM POR MANTER VIVA A TRADIÇÃO – TRADIÇÃO ESSA QUE É “VENDIDA” COMO CARTÃO DE VISITA AOS TURISTAS QUE VISITAM A REGIÃO.

BEM HAJAM MOLICEIROS DA NOSSA RIA!

– Etelvina Almeida – extrato do artigo realizado no âmbito da pesquisa para o tema de Mestrado em Design: Embarcações Tradicionais da Ria de Aveiro…” – 08-07-2012

Proprietários dos barcos moliceiros, pintores e mestre construtor; a maior parte, antigos moliceiros e agricultores que trabalharam no “Rio”, e cultivaram os terrenos arenosos, tornando-os produtivos com a ajuda do moliço.
Aqui se encontram, quase todos, reunidos à volta dos seus barcos, no seu meio, num ambiente de trabalho e alegria, que se tem repetido ano após ano, ao longo da Ria, mas perto de um fim quase anunciado…

Homens reunidos “à volta” de uma causa comum: o barco moliceiro…

A “tábua de contas”, de madeira de pinho (uma das muitas usadas na construção das embarcações). Aqui se rabiscou, pelas mãos do mestre, as contas que levaram ao cálculo da verba, que totaliza os 7.000 euros (arredondados para 8.000), imprescindíveis para que a Regata se realize.

O mestre construtor, mostrando as sua “tábua de contas”.

“Homens da Ria” à conversa…

José Rebesso, um dos moliceiros mais antigos da Ria de Aveiro, já com mais de 70 anos de idade. Um homem que vive estes momentos com uma grande intensidade, afinal isto faz parte da sua história – está-lhe no sangue!
Aqui a preparar o seu barco para regressar a casa – o seu barco brilha, agora pintado e decorado com novos painéis, para participar na regata e no concurso de painéis de domingo (infelizmente cancelada).

José Rebesso preparando o seu barco para navegar, hoje com o auxílio do motor, mas manobrado por ele, o único tripulante a bordo. Para tal auxilia-se da sirga (cabos que devidamente colocados, permitem orientar o barco tanto à proa como à ré por uma só pessoa- técnicas antigas).

Saindo à vara, um meio de propulsão usado neste barco, para além sirga, da vela e, actualmente, do motor.
Assim se desloca o moliceiro até se encontrar em águas mais profundas.
É de admirar a destreza, a força e a sabedoria deste homem, que apesar dos seus mais de 70 anos de idade, se aventura sozinho ria fora, com um barco moliceiro, tal como o fazia antigamente – um verdadeiro homem da Ria.

Apesar da notícia recebida pela manhã (através do Jornal), continuam a trabalhar nas suas embarcações – ora reparam, ora pintam, ora limpam – elas são o seu orgulho e têm de ficar prontas, bonitas!

Aqui, o mestre construtor, pescador e antigo moliceiro, José Rito, um homem do “Rio”, recorta, com a sua serra – uma ferramenta artesanal, construída por ele – as falcas de um barco moliceiro, do “Pardilhoense”.

Aqui, neste recanto da Ria, existe sempre movimento, trabalho, emoção – até mesmo alegria, mesmo em momentos de indignação: um “bota-abaixo” acontece, sem ser programado. Ali existiam homens, e mulheres, suficientes para levar o barco à água, sobre rolos. É empregue a força é física, mas muito mais a emocional. É um prazer presenciar, e até ajudar, num momento como este, em que a alma e o coração gritam mais que a voz, num esforço supremo – o de  empurrar uma embarcação tão pesada como esta.

Aqui, tudo se resume a empurrar e levar o barco à
água, ultrapassando todos os obstáculos! A força da emotiva é muito forte e é ela que ajuda nestes momentos.

O barco, é o “Manuel Silva”, outrora ali ancorado na praia, esperando melhor sorte. Quis o seu dono recupera-lo. O mestre assim o fez, com as suas hábeis mãos, e aqui está ele como novo – o seu destino, não se sabe, mas já toca, e sulcará, a água da Ria de novo.

Após algumas semanas ao sol, o barco necessita do seu “banho”, a madeira anseia por água salubre. Ali ficará por uns tempos.

O mestre construtor, José Rito e o seu neto, que de tão tenra idade, já se move dentro de um moliceiro com um à vontade digno de se ver (o barco moliceiro do avô, “Zé Rito”, que está a ser reparado e decorado -pintura de novos painéis).  Assim se transmite a tradição a outras gerações.

O barco moliceiro “Pardilhoense”, foi reconstruído neste estaleiro,em Junho de 2011, e aqui realizado o seu “bota-abaixo”. Encontra-se, actualmente ao serviço do turismo, na Praia da Costa Nova. Este barco foi recuperado para este fim, mas com um propósito diferente – realizar passeios à vela na Ria de Aveiro, uma iniciativa pioneira na área do turismo lagunar. Para esse efeito, foram mantidas as dimensões e a sua forma original; leme, bica, mastro intactos, mantendo também a decoração tradicional. Voltou ao estaleiro para efectuar algumas reparações e novas pinturas de painéis, para participar na Regata e no concurso de painéis.

Uma criança deixa-se fascinar facilmente por um barco tão belo. Como poderá esta relíquia que faz parte, e serve de cartaz, ao nosso património lagunar, cair no esquecimento e/ou ser adulterado nas suas formas, na sua essência – será negligência, ou desleixo?

Uma criança deixa-se fascinar facilmente por um barco tão belo.

Como poderá esta relíquia que faz parte, e serve de cartaz, ao nosso património lagunar, cair no esquecimento e/ou ser adulterada nas suas formas, na sua essência – será negligência, ou desleixo?

ANEXOS:

“MOLICEIROS REVOLTADOS”

“Os moliceiros de Torreira e Murtosa estão revoltados com o cancelamento da regata na ria de Aveiro, por falta de verbas. Os participantes souberam pelo CM que não vai haver a 27ª edição da prova – que seria incluída nas Festas da Ria -, numa altura em que os barcos já estavam a ser reparados. Agora prometem ir para a ria a 14 de Julho, dia em que se realizaria a regata, apesar de a autarquia já não a organizar.

“Na regata, sempre iam buscar alguns subsídios que lhes permitia sobreviver. No total, a câmara gastava 8 mil euros, que não representa o total do investimento”, disse António Cravo, estudioso da ria de Aveiro e uma das principais caras da revolta com o fim da prova.

Este ano, iam participar nove moliceiros grandes e dois pequenos, que começaram a ser reparados há meses. “Já pintei seis barcos este ano”, lembrou José Oliveira. “É o meu entretenimento. Os meus bisavós já andavam no rio”, recorda o moliceiro José Rendeiro. “Somos cada vez menos moliceiros”, acrescentou José Rito, construtor naval.

A autarquia realça que não vai organizar a prova por falta de verbas, apesar de o Turismo do Centro já ter angariado três mil euros para promover a regata.”

In “CORREIO DA MANHÔ – NORTE – pag-11

Ana Sofia Coelho

Vídeo realizado pelo CM

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/sociedade/moliceiros-revoltados-com-video

POST NO MURAL DO FACEBOOK, DO DIA 06-07-2012

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=244120482266148&set=a.244118045599725.70124.100000045944704&type=1&theater

PODERÁ SER ESTES O ÍNICIO DO FIM DE UMA TRADIÇÃO COM DEZENAS DE ANOS???????

A Regata de Barcos Moliceiros ESTAVA AGENDADA para o dia 14 de Julho de 2012.

“(…) O certame organizado pela autarquia, há já algumas décadas, decorre até 22 de Julho. O programa contempla vários festivais e feiras, mas neste ano há uma mudança.”Não vai ser possível realizar as regatas porque não há verbas”, explicou Maria da Luz Nolasco, veradora da cultura, que espera receber muitos visitantes (…)”

Artigo do “Correio da Manhã” do dia 6-7-2012, página 11, destacável NORTE, 2º parágrafo do artigo escrito por Sofia Coelho.

Neste momento, início da tarde de 06-07-2012, encontram-se reunidos um grupo de proprietários, construtores, pintores de barcos moliceiros, junto ao Estaleiro-Museu da Praia do Monte Branco, na Torreira, indignados com a decisão tomada.

Estes barcos têm estado a ser reparados e pintados, durante estas semanas, que antecedem a regata, como é tradição. A surpresa pela notícia foi enorme, e gerou alguma revolta!

(fotografia) Regata de Barcos Moliceiros integrada nas Festas da Ria de Aveiro, realizada a 7 de Julho de 2011.

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